
não veio ninguém, meu amor
procurei todo o dia a palavra
que defina o efeito de ti em mim
e não houve um murmúrio
nem sequer um prenúncio
nada que me aflorasse à boca
é agosto lá fora mas o verão
sem querer sentou-se côncavo
no meio das minhas coxas
e começou a chover, meu amor
não sei onde está a resposta
já contei os dias e as dúvidas
tu sabes que não confio em ti
tu sabes que ainda não aprendi
a ler a chuva do meu corpo
*
(fotografia de ricardo tavares)
1 comentário:
Absolutamente fantástico!
Adorei mesmo este teu poema feito de palavras que traduzem o meu estado de espírito.
E adorei o blog... já alguém me havia falado da Alice, mas numa altura em que o blog estava fechado...
Muito muito bom...
:)
Beijos (vou voltar - e roubar esta poesia...)
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