
não tragas rosas, meu amor
traz o embrulho com pedras
para que possam vestir-me
palavras de que te arredas
com olhos para cobrir-me
desse desejo tardio
de volúpia libelinha
a dançar no corpo frio.
vem c’oa chuva cantarinha
beber-me o sexo em sossego;
e se assoma à amurada
do castelo eu não nego
a sorte que na alvorada
solta no loendro o esperma
da morte que se redime
no coito fácil que enferma.
não tragas rosas, meu amor
traz pedras, pedras, mais pedras
porque os nossos corpos lúdicos
têm o sol das veredas.
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autor: José Félix
(quadro de salvador dali)



















